domingo, 21 de junho de 2009
ALPINISTA
Sentir o oxigénio perfeito,
Ouvir pela 1ª vez o silêncio
E o que ele significa,
Ter no horizonte bem a nossa frente,
O limiar da pura terra….
E o sonho é precioso,
Buscando no pouco
Que ainda tenho nas forças maltratadas,
Queremos só lá chegar,
Libertando o coração,
Sem amor,
Sem dor,
Sem rancor…
Só queremos subir e subir,
Ficar tão perto do sentindo da vida,
Com a morte a respirar constante e afogante
Na superfície da nossa pele,
Subir, subir…
A curvatura está ali,
Na linha do nosso horizonte…
UM CÉU AZUL EM CONTRADIÇÃO
O céu azul, quase infinito,
Esmaga-nos, envolve-nos,
Perde-nos e não torna achar-nos…
Fiz de ti um refugio,
Fiz de mim, egoísta,
Agora, vou fechar a porta,
Não quero, mas desejo,
Ter teus pulsos em sangue,
Molhando os meus lábios,
Cravando o vírus de um amor cego,
Sem cura,
Jorrando montes e montes de lágrimas,
Sem poderem serem estanques…
Neste silêncio sórdido,
Danço contigo,
Imaginado a tua sombra,
Sem desviar os olhos de ti,
Deixo de pensar no momento,
Deixo-te a deslizar em mim,
É tão confuso, quero abandonar-te,
Quero segurar-te,
Deixar-te dilacerar-me o coração,
Morrer ao teu largo,
Mas também quero ser maldito,
E desaparecer daqui,
Enlouquecer e pulverizar
Todo e qualquer sentimento!
TODOS SOMOS
Todos somos iguais no amar,
Todos somos na madrugada,
Uma carícia para nos acalmar,
Uma sombra fresca para adormecer,
Porque todos somos assim,
Quando nos tocam de maneira diferente no nosso corpo,
Todos somos manteiga,
No revelar de uma rosa,
Todos rimos,
Todos choramos,
Todos vamos abaixo no olhar do horizonte,
Todos nós vemos o céu azul,
Todos nós sentimos o sol,
Todos nós sentimos a solidão,
Todos nós não queremos morrer,
Sem pelo menos por uma vez,
Sentirmo-nos amados!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
PRATO DE SOPA
Foi posta a comida aqui ao lado
Sem vontade de a devorar,
Faço um esforço para a aceitar,
Só um pouco, meu querido estômago,
Quem sabe que alguém nos ache alegre
Talvez um dia feliz, preso a uma verdade
Procure mesmo escutar a minha canção
Um dia a fotografia ficará presa ao nosso lugar
Serei quem realmente a beijou, não sei
Provavelmente uma sombra que fugiu de mim
Escuta, está atento, vou partir em silêncio
Vou partir na cadência da batida,
Vou deixar o cheiro desaparecer,
Vou deixar até o sorriso se desvanecer
Só um pouco de comida, só um pouco de comida
Este prato de sopa está a ficar frio,
Com tanta couve e batatas lá dentro,
Tenho de consumir, mas vindo devagar, devagar,
Uma colher só, uma colher só….
domingo, 8 de junho de 2008
POLITICA – PARTE II(ESCUTA AMOR)
Escuta amor,
A musica continua a tocar,
As minhas palavras estão tingidas
De boas intenções,
Cada vez que olho nas expressões
Inocentes das tuas questões!
Escuta amor,
Eu digo todas as noites,
Ao teu ouvido,
Eu estou aqui para te roubar o coração,
Para te contar de um forma sábia,
O segredo e o sentido do que é que é a vida,
Conforme o momento e a emoção
Da teoria que mais venda nesse dia!
POLITICA – PARTE I ( ESTADOS DE EMOÇÕES)
Não vou mentir,
Agora que tenho oportunidade
De não esconder a emoção,
No momento em que as estrelas
Caiem dos céus para nós,
Não vou mentir, talvez só um bocadinho.
Ok, aqui vai,
Escuta bebé,
Eu não sou o mágico,
Que te promete a vida boa,
Com a redução de impostos…
Escuta bebé,
Este é o meu apartamento,
Não é um condomínio privado,
Virado para a serra ao sabor da brisa marítima…
Escuta bebé, este sou eu,
O homem que vai todas as manhãs,
Para o meio da praça,
Prometer o mundo dourado,
E que num segundo te rouba de uma forma obscena,
O teu coração e vende a tua alma,
Ao diabo em troca pela minha,
Mas escuta bebé,
Quando chega de novo a madrugada,
Dá novamente nomes diferentes as estrelas,
Que elas são somente tuas,
Depois de as ter vendido perante os teus olhos,
Vezes e vezes sem conta…
Mas tudo não passa de
Estados de emoção,
Meu amor, tudo não passa de
Estados efémeros e puros de emoção!
SIMPLESMENTE…. VIDA….
Na partida, na chegada,
Existe um abraço,
Existe mais um olhar,
A lágrima que não obedece
Dentro das cores da vida,
Tu tens a tua própria,
Tu tens o teu talismã,
Um pouco de loucura, que deseja partilhar…
A porta sempre aberta a alegria
E aos raios de sol
Vindos de pessoas novas que vais conhecendo,
A porta que se fecha na saudade,
Daqueles que ficam para traz,
E o amor nestas alturas veste-se
Com varias roupas, deixa transbordar
Todas as suas preces e ambições….
Um amigo que te consola,
Uma nova paixão que te empurra para o meio da pista,
Um bebé que te ilumina o rosto,
Um irmão que te perdoa e te ampara
Nos segundos de fraqueza,
Aquele perfeito amor,
Que te faz respirar através dele,
Ao levar-te em segurança ao epicentro de tudo,
Arrasando-te, sem esperar nada de ti,
Sem esperar nada de ti,
Só simplesmente que o amor
Mais uma vez simplesmente acontença!