Foi posta a comida aqui ao lado
Sem vontade de a devorar,
Faço um esforço para a aceitar,
Só um pouco, meu querido estômago,
Quem sabe que alguém nos ache alegre
Talvez um dia feliz, preso a uma verdade
Procure mesmo escutar a minha canção
Um dia a fotografia ficará presa ao nosso lugar
Serei quem realmente a beijou, não sei
Provavelmente uma sombra que fugiu de mim
Escuta, está atento, vou partir em silêncio
Vou partir na cadência da batida,
Vou deixar o cheiro desaparecer,
Vou deixar até o sorriso se desvanecer
Só um pouco de comida, só um pouco de comida
Este prato de sopa está a ficar frio,
Com tanta couve e batatas lá dentro,
Tenho de consumir, mas vindo devagar, devagar,
Uma colher só, uma colher só….
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
PRATO DE SOPA
domingo, 8 de junho de 2008
POLITICA – PARTE II(ESCUTA AMOR)
Escuta amor,
A musica continua a tocar,
As minhas palavras estão tingidas
De boas intenções,
Cada vez que olho nas expressões
Inocentes das tuas questões!
Escuta amor,
Eu digo todas as noites,
Ao teu ouvido,
Eu estou aqui para te roubar o coração,
Para te contar de um forma sábia,
O segredo e o sentido do que é que é a vida,
Conforme o momento e a emoção
Da teoria que mais venda nesse dia!
POLITICA – PARTE I ( ESTADOS DE EMOÇÕES)
Não vou mentir,
Agora que tenho oportunidade
De não esconder a emoção,
No momento em que as estrelas
Caiem dos céus para nós,
Não vou mentir, talvez só um bocadinho.
Ok, aqui vai,
Escuta bebé,
Eu não sou o mágico,
Que te promete a vida boa,
Com a redução de impostos…
Escuta bebé,
Este é o meu apartamento,
Não é um condomínio privado,
Virado para a serra ao sabor da brisa marítima…
Escuta bebé, este sou eu,
O homem que vai todas as manhãs,
Para o meio da praça,
Prometer o mundo dourado,
E que num segundo te rouba de uma forma obscena,
O teu coração e vende a tua alma,
Ao diabo em troca pela minha,
Mas escuta bebé,
Quando chega de novo a madrugada,
Dá novamente nomes diferentes as estrelas,
Que elas são somente tuas,
Depois de as ter vendido perante os teus olhos,
Vezes e vezes sem conta…
Mas tudo não passa de
Estados de emoção,
Meu amor, tudo não passa de
Estados efémeros e puros de emoção!
SIMPLESMENTE…. VIDA….
Na partida, na chegada,
Existe um abraço,
Existe mais um olhar,
A lágrima que não obedece
Dentro das cores da vida,
Tu tens a tua própria,
Tu tens o teu talismã,
Um pouco de loucura, que deseja partilhar…
A porta sempre aberta a alegria
E aos raios de sol
Vindos de pessoas novas que vais conhecendo,
A porta que se fecha na saudade,
Daqueles que ficam para traz,
E o amor nestas alturas veste-se
Com varias roupas, deixa transbordar
Todas as suas preces e ambições….
Um amigo que te consola,
Uma nova paixão que te empurra para o meio da pista,
Um bebé que te ilumina o rosto,
Um irmão que te perdoa e te ampara
Nos segundos de fraqueza,
Aquele perfeito amor,
Que te faz respirar através dele,
Ao levar-te em segurança ao epicentro de tudo,
Arrasando-te, sem esperar nada de ti,
Sem esperar nada de ti,
Só simplesmente que o amor
Mais uma vez simplesmente acontença!
domingo, 9 de março de 2008
JOANA + PEDRO = NADA
Por caminhos tortuosos, caminho
por linhas brancas desvio-me da vida
por um amor voltei a estaca zero,
deixo de acreditar que consigo
só para ter-te a perdes-te comigo.....
Os meus braços, já são recortes
meu peito, existe só para ser consumido
o que é que fiz para te amar assim.....
Eu estava a tona,
buscando o fio condutor da minha salvação,
mas os teus olhos, centraram-se novamente em mim
cravando ainda mais fundo a sina da minha perdição.
E não quero te deixar fugir...
leva-me ao fundo da merda....
o que é que fiz para te desejar soumente assim.....
BRUTAL
No corpo as sádicas marcas, no olhar o desejo a provar
Vinho jorrando das tuas mãos, embriagam os meus sentidos,
O que ficou do lado de lá da cama, não é para se comentar,
Este segredo de perder-me em teu sexo é demasiadamente brutal......
NO ACASO
Quisera eu escrever uma carta de amor,
deixa la escondida debaixo do teu tapete,
desejando que um dia a descubrises por acaso.....
SETAS DE CUPIDO
A meia luz, ele afia mais uma seta,
uma seta que não está direita,
mas vai a mesma tentar acertar desta vez,
deixar escapar num raio fulminante,
um sopro de todo um sentimento,
que lhe é cego e estranho no seu corpo.....
E ainda com o leite a escorrer-lhe o peito,
e asas em fogo incandescente,
ele enroupe pela noite,
interrompendo sonos e silêncios,
pois alguém tem de sentir,
o que lhe corrói os dedos e pensamentos,
alguém tentou-lhe explicar,
mas braille falhou naquele momento,
por isso continua até hoje, e até amanhã,
a disparar para o ar rarefeito,
setas tortas e embebidas no veneno de algo,
que estranhamente lhe chamam de....
"amor, amor, amor"
NOVO CORTE DE CABELO
Talvez esteja na altura de uma mudança....
se calhar as lágrimas que vertem no meu rosto,
esperam por uma nova pele....
não tenho mais desculpa, para não tentar,
experimentar ser realmente feliz,
não esperar que um outro mundo me venha salvar....
E a mulher que se sentou na cadeira ao lado,
deixa-se levar pelo momento,
num abraço imaginário,
o seu cabelo vai caindo aos meus pés,
revelando perante os meus olhos,
que porventura tenha ainda algo de novo...
algo que começa a desprender-se de mim,
provocando dentro deste instante,
um encontro encruzilhado de pensamentos....
o que é que quero realmente da..... minha pessoa.............
ELA CONTINUA A DANÇAR
Ainda não é noite,
E ela continua a dançar, tão perto da minha mão
E ela continua a sorrir inocentemente,
Enquanto eu continuo a contar a história da sua própria vida....
Todas as manhãs, ela vai junto do riacho, para acordar os peixes as algas,
Passa a fina palma da sua mão pelas gotas suaves do orvalho,
E eu ali sentado no alpendre, contemplo o regaço que ela tece,
Para misturar em minha boca com laranjas e mel....
Nas primeiras brisas, anunciado mais uma tarde bucólica,
Ao som de pardais silvado pelo namoro do vento, aos seu cabelos negros,
Ela ensaia alguns passos ténues mas firmes, ao olhar profundamente na minha alma,
E eu só desejo vela para sempre ali, a passear pelo bosque que é o meu coração,
Esperando que a noite nunca mais apareça, para ela nunca mais me abandonar,
E ela continua a dançar, tão perto da minha mão, cerrando-me os olhos aos poucos,
Segredando-me ao ouvido, toda uma nova história que quer construir em meu corpo...
E vou perdendo a consciência aos poucos, aos poucos, vendo-a da minha torre solitária
A dançar e a dançar, para lá do meu secreto pôr-do-sol.....
CORTE DE CABELO
Ela pede para cortar-lhe o cabelo,
ela quer subir um pouco mais a saia,
deseja sair um centímetro mais da velha vida...
no silêncio da noite, ela chora sem estar triste,
sente sim, que alguém mais se esconde dentro do seu coração,
a outra parte bela da sua alma, que reclama o seu quinhão de luz
um tiro no escuro, no espaço aberto que é a sua confusa existência,
tem de explorar, num dia, e noutro dia, só mais uma jornada,
sim, por onde irá todo este caminho cheio de rosas espinhosas,
por onde a levará esta viagem misteriosa e fascinante,
enquanto cheiros e sensações nunca antes saboreadas,
lhe vão toldando segundo a segundo sentidos, braços e pernas,
culminando, em perguntas sem resposta,
em certezas incertas, em impulsos que a fazem sentir mais mulher,
no epicentro místico de um orgasmo de lembranças e abraços,
que são mais que braços e pernas, são ela própria,
BOA NOITE CHUVA
Boa noite chuva, boa noite...... Antes de adormecer....
O inicio de um novo ano está por aí, no colo do findar deste ano, que nada foi em meu regaço....
A voz, por vezes rouca, mascara as lágrimas de incompreensão, com a força estranha que habita em meu sangue e em meu corpo...
E quando o dia chega, uma alegria estranha se solta do meu ser, e vai habitar em corações alheios, tomando as suas pessoais gotas De chuva....... E eu sinto a tempestade invadir todo o meu espaço, sinto-mo na linha da frente, protegendo da dor todos os outros
que se amam nos resguardos da madrugada, e eu de vigia, sinto a chuva, transportando-me suavemente para mais um ano, para mais um ano........
UM DIA MAIS PARA ME ENCONTRAR
Tenho os olhos a arder,
Ouvi com muita atenção,
Toda a minha vida, contada por uma voz alheia,
E deste lado sem ter a certeza de nada,
Pergunto-me se alguma vez serei,
O outro homem, que cortará a direito,
Dançando confiante aceitando que esta é a sua luz,
E por lá e por ela tem de ganhar um dia,
E ganhar mais um outro dia.....
VAMPIROS E HUMANOS
Sempre no mesmo espiral,
Em voltas constantes,
Quase viciados,
Queremos e queremos muito mais,
O sangue fresco e alheio,
Que nos tranquiliza e nos transforma,
Na presa dissimulada…
Mas quando chega a luz,
Chega para nos magoar,
Chega para fazer chagas na pele,
Só que desejamos ela ardentemente,
Precisamos dela, como acto de contrição.
Mas como tela, mas como bebe-la,
Se na inconsciência, voltamos sempre ao mesmo corrimão,
Voltamos aos mesmos actos de paixão,
Com ardor e clamando por mais dor, mais dor, oh! Dor!
Mais dor!
Como vampiros, humanos que desejam a redenção,
Anjos esquecidos pela eternidade,Abandonados e entregues a Crueldade
TEU SECRETO SORRISO
Tenho as marcas,
Eu tenho-as cravadas,
Em meus Pulsos,
O teu secreto sorriso!
Pois, por fim,
Tu revelaste no cair da madrugada,
Aqui, mesmo no meios da estrada,
Sem pedires autorização aos teus deuses,
Tu mostraste só para mim,
O teu secreto sorriso!
Eu tenho os sinais,
O sangue ainda fresco,
Que tu trocaste comigo,
Impresso no meu peito,
Eu tenho os sinais
Do teu secreto sorriso!
E agora que de novo
Vai nascer o sol,
Soletro, palavra a palavra,
Que tu deixas-te em cada beijo teu,
O código do teu secreto sorriso!
TEU NOME
Dou comigo, sem o saber,
A escrever e a rescrever
O teu nome, em todos os lugares!
Na contra-capa do meu livro favorito,
No bloco de recados da cozinha,
Na agenda telefónica,
Na areia entrelaçada nos meus passos marcados,
Indo de encontra ao mar!
Dou comigo, sem o saber,
A decorar ou a recordar, teu nome,
Que cobre todo o meu corpo!
Na minha velha e bonita camisa,
No cobertor, que me faz espirrar,
Na meia rota ou na toalha de mesa manchada,
Do vinho cor de sangue vivo,
Vivo pelas tuas lembranças e teus poemas,
Que dizias secretamente ao meu ouvido,
Declarando sempre no fim:
“Dou sempre comigo,
Dou sempre comigo, sem o saber,
Dentro do teu sorriso, e como ele é tão simples e belo,
Sempre que prenuncias
O Meu Nome!”
PEDAÇO DE CARNE
A folha voltou a cair
E a queimar-se nas minhas mãos,
A dor para mim é por demais familiar…
O rasgar da guitarra,
É lançado no meio da lama,
Palavras cortadas e incompletas,
São disparadas frias e cruéis,
Entre beijos mecânicos e abraços mundanos,
Expelidos pela magia ocasional de uma cama!
O bater do meu coração,
Tendo a tua mão prendendo o meu peito,
Sim mulher é o meu coração!
Um pedaço de carne,
Que se arrasta pelo teu chão,
Ao sentir os teus dentes cravados nos meus lábios,
Sangrando cegamente as tuas mentiras e simplicidade,
Sim, AMOR?!
Sou só mais um pedaço de carne,
Ferido pela tua ficção!
MEUS CRISTOS
Quando de novo nascer,
Não me deixes ganhar consciência,
Pois não quero de novo parecer
Os Cristos por ele pintado,
Os Cristos que querem partir
Em mil e umas direcções,
Mas que estão pregados em uma só condição,
Sangrando abundantemente.
Entregues a sua inconstante consciência.
IMPURO E RUDE
Talvez afastado o cálice,
Talvez este silêncio, não seja para mim,
Só para mim!
Porque não outro a derramar o sangue,
Porque não, este momento de fraqueza
Não faça-me fugir,
Desaparecer na bruma nocturna,
Correr em direcção ao deserto,
Não querer assumir o sacrifício,
Se não existe outro alguém,
Se não persiste outro destino ou final…
Custa tanto a respirar, custa tanto,
Todos estes minutos aparecem e sentem-se tão rudes,
Tão rudes,
Deixa-me partir, deixa-me ser outro,
Não ser quem sou, não viver o que viverei,
Ser um simples humano,
Tão impuro, tão rude,
Tão rude, tão impuro, tão rude!
ESGOTAMENTO SIMULADO
No silêncio, aproximo-me da linha….
As luzes estão postas no lugar,
Vestindo jeans, deixo o espelho olhar para mim
Mirando-me fixamente,
Para depois, no segundo a seguir e repentinamente,
Tentar-me abafar-me, com um sorriso doce e cínico….
E o anjo nas minhas costas,
Observa sem proferir uma palavra,
Mesmo sabendo quem vai começar
E quem vai acabar……
Deixa toda a cena rolar, silencia os seus sentimentos,
Prende de uma forma esbelta os seus movimentos,
Só cedendo a sua luz tão espessa a cena……
E eu ajoelho-me com as lágrimas escorrendo a face,
Esgravato até fazer sangue, o meu outro eu,
Imóvel e frio,
Que habita no meu espelho,
Tentando acreditar que assim é melhor,
Porque por momentos, eu já acredito
Que sou verdadeiramente eu,
Quando vejo a estudar-me maliciosa mente
Do outro lado, ao de leve,
No reflexo de um espelho….
ANTES DE CHEGAR A TI
Parei a meio de chegar a ti,
E decidi voltar para trás,
Decidi começar tudo de novo,
Segredar ao sol como te vi pela primeira vez,
Estavas tu ao pé da minha porta a dançar….
E o desenho feito na areia,
Enquanto o mar trazia e levava,
Por entre sorrisos e olhares teus,
Confessavam o quanto estava tão perto
De deixar o dia, naquele momento
Revelar um esboço de sentimento…
Agora tentando não entender,
Sentindo singularmente nos sinais,
O cheiro e o sabor da tua pele,
Que encarnou por completo nas minhas palavras,
Jorrando sangue divino em mim,
Deixo estes segundos falarem por si,
Quando tento voltar para trás,
Marcando o lugar,
Com o brilho que é só teu,
Simplesmente teu…
ANJO EM MIM
Parado a meio do sinal,
Que parece eternamente laranja,
Tento fechar em mim a armadura,
Que de uma maneira inexplicável,
Se mantém semi-aberta…
Parado, ouvindo o zumbido da manhã,
A tentar rasgar aos poucos o pano da madrugada
Só para fazer de mim, mais uma vez prisioneiro,
Nas amarras da irracionalidade da razão,
Dizendo em sussurro, a forma precária
De como devo andar, falar ou amar…
Mas se avançar de olhos fechados,
Directo ao meu próprio coração,
Talvez consiga escutar-me pela primeira vez,
Rompendo a estátua que me envolve,
Desde do segundo em que a consciência
Começou a perturbar o meu silêncio,
Esvaziando ao longo destes anos,
Todos os sentidos desta canção,
Até ao dia em que conseguir
Fechar a armadura,
Podendo tirar, para sempre,
Os pés do chão!