domingo, 9 de março de 2008

IMPURO E RUDE

Talvez afastado o cálice,
Talvez este silêncio, não seja para mim,
Só para mim!
Porque não outro a derramar o sangue,
Porque não, este momento de fraqueza
Não faça-me fugir,
Desaparecer na bruma nocturna,
Correr em direcção ao deserto,
Não querer assumir o sacrifício,
Se não existe outro alguém,
Se não persiste outro destino ou final…
Custa tanto a respirar, custa tanto,
Todos estes minutos aparecem e sentem-se tão rudes,
Tão rudes,
Deixa-me partir, deixa-me ser outro,
Não ser quem sou, não viver o que viverei,
Ser um simples humano,
Tão impuro, tão rude,
Tão rude, tão impuro, tão rude!

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