No silêncio, aproximo-me da linha….
As luzes estão postas no lugar,
Vestindo jeans, deixo o espelho olhar para mim
Mirando-me fixamente,
Para depois, no segundo a seguir e repentinamente,
Tentar-me abafar-me, com um sorriso doce e cínico….
E o anjo nas minhas costas,
Observa sem proferir uma palavra,
Mesmo sabendo quem vai começar
E quem vai acabar……
Deixa toda a cena rolar, silencia os seus sentimentos,
Prende de uma forma esbelta os seus movimentos,
Só cedendo a sua luz tão espessa a cena……
E eu ajoelho-me com as lágrimas escorrendo a face,
Esgravato até fazer sangue, o meu outro eu,
Imóvel e frio,
Que habita no meu espelho,
Tentando acreditar que assim é melhor,
Porque por momentos, eu já acredito
Que sou verdadeiramente eu,
Quando vejo a estudar-me maliciosa mente
Do outro lado, ao de leve,
No reflexo de um espelho….
1 comentário:
"Esgravato até fazer sangue, o meu outro eu"
Que imagem tão forte!
E é essa a expressão que melhor define 'o poeta' - aquele que vê de outra forma; aquele que molda o que vê; aquele que vê o que não se vê (sequer o que o espelho mostra!)
Acho que por aqui há poeta!
Que continues a esgravatar
Sem que o sangue o mostre
Sem ser ele a revelar
O que o espelho reflecte
: a angústia da alma-outra
: daquele que mente
Do que sem vontade
Outra alma veste
Kisses da baby
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